Passe de metrô semanal em Nova Iorque: $ 30,00
Diária do hotel com aquelas taxas todas que aparecem do nada: $ 105,00
Preço da entrada "sugerido" pelo Museu de História Natural: $ 19,00
Ver a cara de desapontamento da tia do guichê quando eu resolvo que só vou pagar 1 dólar pra entrar: não tem preço.
Ta certo, a piada foi esforçada, mas na verdade a mulher não deu a mínima. Tentarei obter efeito trangressivo mais pungente amanhã, no Metropolitan. E, no final, a entrada-padrão só dá direito a ver uns bichos de plástico, como se fosse o museu de Paramaribo, e não de NY, pra todo o resto realmente interessante tem que pagar um a mais inegociável, então acho que na verdade eles até saíram no lucro...
Mais uma derradeira vez, nada de ser sorteado para o Book of Mormon, então a alternativa foi Silence! , paródia do filme o Silêncio dos Inocentes, uma montagem bem mais singela, de preço razoável, mas até que bem-feitinha. E havia ainda Avenue Q, que igualmente não deu tempo de prestigiar. E num donut, dos quais acabamos de comprar meia-dúzia, há umas 360 calorias. Haja abdominal improvisado no chão do quarto do hotel...
terça-feira, 23 de outubro de 2012
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
22/10 - New York - New York
Ah, o genial Charles Strouse.... Entre a temporada no cinema da amaldiçoada por deus cidade de Presidente Venceslau, onde eu passava as férias de minha longíqua infância, e as tantas reprises vespertinas na Sessão da Tarde, não há filme a que eu tenha assistido tantas vezes quanto Annie, versão cinematrográfica do musical, estranhamente dirigida por um cara ainda mais pré-histórico do que eu, John Huston, mas dizem que aqueles filmes em preto-e-branco dele eram bons. E depois comprei a trilha sonora do filme, e do musical original da Broadway, e até mesmo achei na internet a música de uma montagem argentina! Aliás, como será que se chama a Broadway da Angentina, El Caminón?
E hoje, finalmente, assisto pessoalmente à nova montagem, fechando a gestalt. Ao preço de ter perdido o musical do Homem-Aranha, que seria um concorrente de peso se não tivessem posto Bono Vox, aquela enrustida, para compor a música. Cara, montam uma peça milionária, tecnicamente complexíssima, cobram 80 dólares o ingresso mais chulé, e chamam o Bono pra escrever o libretto? Que feio...
E teve também o passeiozinho-padrão até Staten Island e ao monumento ao atentado ao ex-World Trade Center. Cara, deve ser glorioso olhar pela janela do escritório, ver um avião inteiro se dirigindo ao orifício entre suas nádegas, sentir um ou dois segundos do mais pleno pavor, e então sem sequer ter tempo para sentir qualquer dor ou desconforto, ser instantânea e inapelavelmente libertado da sua vã existência. Ninguém se deu conta, mas aquele não é um lugar de condolência, e sim de inveja inconfessa.
E hoje, finalmente, assisto pessoalmente à nova montagem, fechando a gestalt. Ao preço de ter perdido o musical do Homem-Aranha, que seria um concorrente de peso se não tivessem posto Bono Vox, aquela enrustida, para compor a música. Cara, montam uma peça milionária, tecnicamente complexíssima, cobram 80 dólares o ingresso mais chulé, e chamam o Bono pra escrever o libretto? Que feio...
E teve também o passeiozinho-padrão até Staten Island e ao monumento ao atentado ao ex-World Trade Center. Cara, deve ser glorioso olhar pela janela do escritório, ver um avião inteiro se dirigindo ao orifício entre suas nádegas, sentir um ou dois segundos do mais pleno pavor, e então sem sequer ter tempo para sentir qualquer dor ou desconforto, ser instantânea e inapelavelmente libertado da sua vã existência. Ninguém se deu conta, mas aquele não é um lugar de condolência, e sim de inveja inconfessa.
domingo, 21 de outubro de 2012
21/10 - New York - New York
E seguindo com o mar de fezes que se iniciou em Pittsburgh, o bumba noturno para New York, recuperado com tanto sacrifício, resolve quebrar no meio do caminho, no meio de lugar nenhum, e nas mãos de um motorista absolutamente despreparado quanto ao que fazer numa situação como esta, além de ficar bufando e subindo e descendo do ônibus. Teve um pouco de sabor de vingança assistir o idiotinha lidar com mensagens gravadas de call-center, sem conseguir falar com alguém que o orientasse, mas o saldo foram 4 horas de viagem a mais, esperando no acostamento que um ônibus saído da Filadélfia viesse nos resgatar. Só faltou o Tom Hanks chegar dirigindo, com sarcomas de Kaposi gotejando no assento.
Depois, a principal raison d'étrê desta viagem, assistir ao The Book of Mormon na Broadway começou a afundar rapidamente, porque sou um pessimista existencial mas um otimista quanto às coisas práticas da vida, não me ocorreu comprar os bilhetes com antecedência, e esta merda está com ingressos esgotados até meio que abril de 2013. Antes de cada apresentação eles fazem o gesto simpático de sortear alguns ingressos a preço reduzido para os incautos que se acotovelam lá na frente do teatro, mas adivinhem se dei sorte.... Chupa, Aderbal.
E Nova Iorque tá quente, tudo é bem caro, e os shows de rock a 30 dólares do início da viagem agora viram musicais da Broadway a 120 dólares, sem vaselina. Meu botinão de neve, que ocupa tanto espaço na mochila, da mesma forma como veio vai voltar, invicto. O hotel é longe pra caralho, e o longo caminho de ida e volta dentro do metrô é o paraíso para um bom narcoléptico. Mas pelo menos não teve tiroteio em Times Square hoje, o que não deixa de ser alentador....
Depois, a principal raison d'étrê desta viagem, assistir ao The Book of Mormon na Broadway começou a afundar rapidamente, porque sou um pessimista existencial mas um otimista quanto às coisas práticas da vida, não me ocorreu comprar os bilhetes com antecedência, e esta merda está com ingressos esgotados até meio que abril de 2013. Antes de cada apresentação eles fazem o gesto simpático de sortear alguns ingressos a preço reduzido para os incautos que se acotovelam lá na frente do teatro, mas adivinhem se dei sorte.... Chupa, Aderbal.
E Nova Iorque tá quente, tudo é bem caro, e os shows de rock a 30 dólares do início da viagem agora viram musicais da Broadway a 120 dólares, sem vaselina. Meu botinão de neve, que ocupa tanto espaço na mochila, da mesma forma como veio vai voltar, invicto. O hotel é longe pra caralho, e o longo caminho de ida e volta dentro do metrô é o paraíso para um bom narcoléptico. Mas pelo menos não teve tiroteio em Times Square hoje, o que não deixa de ser alentador....
sábado, 20 de outubro de 2012
20/10 - Pittsburgh - Pennsylvania
Ontem, ainda com a música do tigrão americano rebumbando em meus tímpanos, fui perceber que a energúmena imbecil filha-da-puta cancrosa balconista da Greyhound havia emitido as passagens erradas até New York, com horário pela manhã e não à noite, como solicitado. Então, a noite bem-dormida que deveria anteceder mais uma passada no busão se transformou em uma noite estressada, acordando cedo para conseguir chegar à estação em tempo de, na pior das hipóteses, conseguir embarcar na hora errada mesmo. Mas o balconista da vez, ainda que pouco simpático como é a praxe, conseguiu corrigir a cagada.
E o dia foi passado meio à toa pela cidade, sem programas que não envolvessem gastar 20 dólares, como com a entrada do museu do Andy Warhol, simplesmente tentando administrar o tédio e a angústia de meramente existir em vão, mas pelo menos sem o calor e o trânsito de São Paulo. Depois de um almoço num restaurante indiano, o que me valerá um bafo de curry por ainda os próximos 3 dias, finalizamos o dia com um filme lésbico de um festival de cinema homossexual. Poucas cenas de nudez, mas que se há de fazer.... E, no meio de duas dúzias de casais de mulheres, das mais variadas faixas etárias e graus de pelancosidade cutânea, eu era o único homem na sala....
E o dia foi passado meio à toa pela cidade, sem programas que não envolvessem gastar 20 dólares, como com a entrada do museu do Andy Warhol, simplesmente tentando administrar o tédio e a angústia de meramente existir em vão, mas pelo menos sem o calor e o trânsito de São Paulo. Depois de um almoço num restaurante indiano, o que me valerá um bafo de curry por ainda os próximos 3 dias, finalizamos o dia com um filme lésbico de um festival de cinema homossexual. Poucas cenas de nudez, mas que se há de fazer.... E, no meio de duas dúzias de casais de mulheres, das mais variadas faixas etárias e graus de pelancosidade cutânea, eu era o único homem na sala....
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
19/10 - Pittsburgh - Pennsylvania
E à medida que a costa oeste se aproxima (ou nos aproximamos dela, depende do quadro de referência....), também aumenta o preço de tudo, e com isto a precariedade a que é necessário nos submetermos pra não acabarmos pedindo moedinhas na sarjeta com um copo de papelão na mão. O hotel, de uns já não baratos 80 dólares, fica cááá lonjão do centro. Pra chegar aqui, 5 dólares no busão, e tem que ficar indo e voltado pra trazer as mochilas na chegada, voltar para a cidade, voltar pro hotel à noite, e amanhã começa tudo de novo. Pra tentar poupar um pouco de grana e exercitar a musculatura da avareza, resolvemos ir à cidade a pé, depois de descansar um pouco da chegada às 4:30 da madrugada. A caminhada, de umas 2 horas, foi das mais cênicas da viagem, mas, em boa parte do tempo, feita em pleno acostamento de rodovias, sem nenhuma chance de escapar para qualquer outra direção que não sob as rodas de um caminhão. Uma senhorinha chegou a encostar para perguntar se estava tudo bem.
E agora, depois de deixar minhas narinas em carne viva de tanto cheirar potes em uma enorme e fantástica loja dedicada a temperos e pagar ainda mais caro na condução de volta ao hotel, porque era horário de pico, já passa de 10 da noite e pela janela aqui na periferia segue o som do pancadão do baile funk no boteco do outro lado da rua. Tá foda.
E agora, depois de deixar minhas narinas em carne viva de tanto cheirar potes em uma enorme e fantástica loja dedicada a temperos e pagar ainda mais caro na condução de volta ao hotel, porque era horário de pico, já passa de 10 da noite e pela janela aqui na periferia segue o som do pancadão do baile funk no boteco do outro lado da rua. Tá foda.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
18/10 - Cincinnati, Newport - Ohio, Kentucky
Cincinnati acabou sendo uma cidade 3-em-1, e Ohio, um estado 2-em-1. Atravessando diferentes pontes, consegue-se chegar a Newport e Convington, duas cidades do outro lado do rio, que separa o estado de Ohio do Kentucky, então mais um pra coleção. Na verdade, ficamos hospedados foi no Kentucky mesmo, e mudando de estado todo dia, para acabar desistindo de caminhar até lugares lá lonjão e passar medo, provavelmente pouco justificado, caminhando por bairros de absoluta segregação racial. Mas teve também orgia gastronômica de buffet de pizza, frozen yogurt a quilo bem mais decente e barato do que os similares nacionais, e o indefectível, e desta vez mais caro e policiado, cineminha.
A experiência de uma linha imaginária sobre um rio separando dois estados me remeteu à arbitrariedade de nossas experiências. Eu poderia jurar que do outro lado da ponte o pessoalzinho fala um pouco mais acaipirado, mas provavelmente é viés de interpretação de minha parte. Mas agora, de qualquer modo, começa o trecho da Nova Inglaterra, que será mais breve do que inicialmente planejado, porque o tempo voa tão rápido quanto meus cabelos caem, mas provavelmente mais elegante, e espero que mais friozinho do que nos últimos dias, quando chegou a bater nos 20 graus.
A experiência de uma linha imaginária sobre um rio separando dois estados me remeteu à arbitrariedade de nossas experiências. Eu poderia jurar que do outro lado da ponte o pessoalzinho fala um pouco mais acaipirado, mas provavelmente é viés de interpretação de minha parte. Mas agora, de qualquer modo, começa o trecho da Nova Inglaterra, que será mais breve do que inicialmente planejado, porque o tempo voa tão rápido quanto meus cabelos caem, mas provavelmente mais elegante, e espero que mais friozinho do que nos últimos dias, quando chegou a bater nos 20 graus.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
17/10 - Cincinnati - Ohio
Para compensar o café da manhã bem aspirante a medíocre do hotel de hoje, o almoço foi lambança em um buffet de comida chinesa. Tenho tomado pouquíssimo refrigerante nesta viagem, porque o copo de água é de graça. E aí me dou conta de que o refrigerante não é essencial, é possível passar sem ele. Mas aí, pensando melhor, os 32 diferentes pratos com os quais me entupi hoje também não são. E a música, e os livros, e o sexo (menos quando feito com a Ana Paula Arósio....), e a filosofia... E então a vida se desvela como uma grande e mera experiência quantitativa, em que nada é realmente fundamental, e tudo pode ser descartado até determinado limite arbitrariamente estabelecido, e e tudo muito, muito leve, exceto minha pança, que até agora permanece bem pesada.
À noite, apresentação do Blue Man Group, com o ingresso mais baratinho permitindo sentar lááá longe, e assistir a tudo bem pequenininho. Depois dos outros shows em espaços menores, menos opressivos, de volta ao esquema de teatrões enormes com lugar marcado, e as tiazinhas marcando pesado pro rebanho se comportar direitinho. Mas mesmo assim tem trechinho malandreado lá no facebook, pra quem quiser sentir um gostinho.
À noite, apresentação do Blue Man Group, com o ingresso mais baratinho permitindo sentar lááá longe, e assistir a tudo bem pequenininho. Depois dos outros shows em espaços menores, menos opressivos, de volta ao esquema de teatrões enormes com lugar marcado, e as tiazinhas marcando pesado pro rebanho se comportar direitinho. Mas mesmo assim tem trechinho malandreado lá no facebook, pra quem quiser sentir um gostinho.
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